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O que um digital influencer precisa saber antes de fazer uma publicação patrocinada

Artigos

14 setembro de 2020

Muitas empresas viram nos (as) influenciadores (as) digitais – ou digital influencers ­– uma forma nova, dinâmica e mais barata de levar seus produtos ao público-alvo.

 

De acordo com pesquisa mencionada pelo site Meio & Mensagem, o principal veículo destinado ao mercado publicitário, a opinião de influenciadores digitais é a segunda fonte a ser consultada por alguém quando quer saber algo sobre um produto ou serviço, ficando somente atrás da opinião de familiares e amigos.

 

Influenciar pessoas pelo Instagram, pelo Youtube, pelo TikTok ou qualquer outra rede social que seja possível dá dinheiro e cada vez mais pessoas querem buscar este novo tipo de carreira. Contudo, é preciso ter cuidado.

 

Aqui estão alguns fatos que você DEVE saber antes de fazer publicidade em suas redes sociais.

 

1. Um contrato não é formalidade, é sua garantia

 

Muita gente acha que contratos são extremamente formais e válidos apenas para negócios muito valiosos. Afinal de contas, sua imagem não é valiosa? Sua reputação como influenciador digital é seu bem mais precioso, por isso cuide bem dela.

 

O contrato é necessário para discutir até onde vai sua responsabilidade referente à publicidade que você fizer. Até porque a profissão de influenciador digital não é regulamentada no Brasil, por isso o contrato estabelecerá seus direitos e deveres na sua prestação de serviço.

 

Em um caso recente, a Justiça obrigou uma influenciadora a restituir quase três mil reais a uma seguidora. A pessoa viu a propaganda realizada pela influencer, pagou por um celular, mas não o recebeu. Mais tarde, descobriu tratar-se de um golpe.

 

O juiz entendeu que, por ter lucrado com o anúncio, a influenciadora também responderia pelos danos decorrentes. Mesmo que o cachê seja atraente, é sempre bom verificar se realmente vale a pena. Em situações como esta, você também poderá ser responsabilizado. Por isso, sempre bom fazer um contrato.

 

2. Todos os seus seguidores precisam entender quando uma publicação é patrocinada

 

Quanto mais claro ficar para seu público que o vídeo, a foto ou o story envolve uma ação patrocinada, melhor. Embora essenciais, muitas vezes hashtags como “#publi”, “#ad”, #patrocinio” e “#publipost” acabam passando despercebidas.

 

Seja honesto (a) com seu público e faça com que entendam que seu comentário e sua opinião naquela publicação fazem parte de uma ação patrocinada. Caso contrário, você e a empresa patrocinadora poderão ter problemas com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e oCódigo de Defesa do Consumidorr (CDC).

 

A vencedora do Big Brother Brasil 17 Emilly Araújo conseguiu aproveitar bem sua fama e faturou muito com publicações patrocinadas, no entanto, deixava pouco claro que aquelas não eram simples opiniões pessoais.

 

Cinco empresas foram autuadas pelo Conar por causa das publicações pouco claras de Emilly. Com o tempo, a ex-BBB aprendeu a lição e começou a sinalizar seus posts como patrocinados.

 

O artigo 36 do CDC determina que “a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal”.

 

3. Publicidade enganosa e abusiva é crime

 

Não é só propaganda na TV, no rádio ou no jornal que fica no radar do Procon e do Conar. O que é falado pelos digital influencers também. Muitos gravam sobre um produto ou serviço de improviso, sem se prepararem previamente. Cuidado!

 

Omitir ou mentir sobre informações referentes ao produto ou serviço podem caracterizar propaganda enganosa. Você disse nos stories que o suco de caixinha é do puro suco de laranja, enquanto na caixa diz claramente que o produto é apenas néctar da laranja? Propaganda enganosa.

 

Influenciadores digitais para o público infantil correm risco de fazerem propaganda abusiva, que é aquela que se aproveita da inocência e a falta de julgamento das crianças para estimular a compra. Você disse que a criança só vai ser legal mesmo se comprar toda a coleção de bonecos do novo filme de super-heróis do momento? Propaganda abusiva.

 

O mesmo pode acontecer para jovens e adultos também, quando o texto publicitário explora os medos, as superstições, as crenças e outros valores para vender mais.

 

Em resumo: tome muito cuidado com o que você vai falar ou escrever em suas redes sociais para vender o produto do seu patrocinador.

 

Ambas as práticas – propagandas enganosas e abusivas – são vedadas pelo artigo 37 do CDC. Já o artigo 67 prevê prisão de três meses a um ano, além de multa, para quem for condenado por tais crimes.

 

Agora você já está mais atento (a) a respeito das suas responsabilidades sociais e jurídicas como influenciador (a) digital. Busque a ajuda de um (a) advogado (a) especializado (a) para redigir um bom contrato antes de fechar negócio com um patrocinador. Esperamos que você tenha muito sucesso!